Fabiano Badawi
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Relato: Minha primeira astrofotografia com celular

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Relato: Minha primeira astrofotografia com celular

Foto: Nebulosa de Orion tirada com celular, 1/2 segundo de exposição com ISO 3200

Esta foi a minha primeira captura com relativo sucesso, após várias tentativas frustradas. O grande aprendizado aqui foi entender que o modo automático da câmera é o inimigo número um da astrofotografia: ele simplesmente não consegue interpretar a escuridão do céu e o brilho pontual das estrelas.

O Setup e a Técnica

Para esta imagem, utilizei um Motorola Edge 40 acoplado ao telescópio pelo método afocal, que consiste em alinhar precisamente a lente do smartphone com a pupila de saída da ocular.

Foto: Smartphone alinhado à ocular através de um suporte dedicado.

Configurações no Modo PRO

A chave para o sucesso foi assumir o controle manual. No software nativo da câmera, utilizei o Modo PRO com os seguintes parâmetros:

  • Timer (3 segundos): Essencial para evitar o "shake" do toque. Mesmo um toque leve faz o telescópio vibrar por alguns instantes.
  • ISO 3200: O nível máximo de sensibilidade para captar a luz tênue da nebulosa.
  • Exposição (1/2 segundo): O tempo ideal para registrar luz sem gerar o rastro das estrelas.

O Desafio do Rastro

Tentei tempos de exposição maiores, mas como a Terra gira, as estrelas rapidamente se transformavam em riscos na imagem (o famoso "star trail"). Minha montagem equatorial possui motor de acompanhamento, mas decidi não utilizá-lo desta vez. Como todo desenvolvedor sabe: é melhor isolar as variáveis. Com tantas configurações novas de câmera para aprender, deixei a motorização para a próxima observação.

O Resultado

Escolhi a Nebulosa de Órion (M42) como alvo principal por estar em uma região mais escura do céu naquela noite, o que garantiu o contraste necessário para o sensor do celular. De uma sequência de 30 disparos, selecionei as 3 melhores, e a que você vê abaixo é a campeã da noite.

Animação

Gerei um video da Nebulosa de Orion passando pela ocular Kellner de 25mm. O tripé estava fixo, por isso a nebusosa atravessa o campo de visão da ocular. Foram 20 fotos com 1 segundo de exposição somadas pelo software ffmpeg no linux.

Veja o resultado da observação:

orion_completo

No fim das contas, a astrofotografia com celular é sobre extrair o máximo do que temos em mãos. Ver a Nebulosa de Órion 'atravessando' a ocular no vídeo que gerei me deu a certeza de que o esforço valeu a pena.

O próximo desafio? Ativar a motorização da montagem equatorial e buscar exposições mais longas para revelar ainda mais detalhes dessa região do universo.

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Fabiano Badawi
Céus limpos e boas capturas!