Fabiano Badawi
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Relato: Como encontrei o Polo Sul Celeste

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Relato: Como encontrei o Polo Sul Celeste

Foto: Screenshot do software Stellarium com as grades equatoriais ativadas.

Importância do Polo Sul Celeste

Para quem utiliza uma montagem equatorial, como a do meu Newtoniano de 160mm de abertura, o alinhamento com o Polo Sul Celeste (PSC) é o coração de toda a operação. A grande vantagem desse tipo de montagem é a sua capacidade de compensar a rotação da Terra movendo-se em um único eixo, mas isso só funciona se o eixo de Ascensão Reta do telescópio estiver alinhado ao eixo de rotação do nosso planeta.

Sem a referência ao Polo Sul Celeste, o rastreamento das estrelas perde a precisão, tornando inútil a grande vantagem da montagem equatorial. Encontrar esse ponto invisível é, portanto, o primeiro passo para tirar vantagem desse tipo de montagem.

Nesta semana, decidi deixar de lado o "olhômetro" e documentar o processo técnico para encontrar o Polo Sul Celeste (PSC) usando ferramentas simples:

  • Uma bússola
  • Um site de geofísica
  • Um pouco de matemática

O Primeiro Passo: A Bússola e a "Armadilha" Magnética

Peguei minha bússola magnética e apontei para o sul. No visor, a agulha indicava o sul magnético. No entanto, o sul magnético é diferente do sul geográfico. Devido ao campo magnético irregular da Terra, o sul que a bússola aponta não coincide com o eixo de rotação do planeta.

Foto: Bússola magnética lensática.

Foto: Bússola apontada para o sul magnético.

Após encontrar o sul magnético preciso encontrar o sul geográfico, para isso precisei descobrir a Declinação Magnética da minha região. Acesse o site magnetic-declination.com no meu caso, descobri que a declinação é de aproximadamente 21° Oeste.

Isso significa que o Sul Geográfico está "deslocado" 21 graus em relação ao que minha bússola mostrava. O cálculo é simples:

Sul Geográfico = Sul Magnético + Declinação Magnética

Minha bússola marcava 180 graus apontada para o sul magnético, então adicionei mais 21 graus da declinação magnética. Girei a minha bússola até marcar 201 graus. Pronto, aquele ponto é o sul geográfico.

Ao ajustar o tripé do meu telescópio para o sul geográfico, eu finalmente estava apontando para o ponto exato do horizonte onde o eixo da Terra "toca" o céu.

Enfim, o polo sul celeste

Agora que eu sabia para onde o Sul Geográfico apontava no horizonte, faltava saber a que altura o Polo Sul Celeste estava no céu. A regra de ouro da astronomia prática é fascinante pela sua simplicidade:

  • A altitude do Polo Celeste é igual à latitude do observador.

Como estou em uma latitude de aproximadamente 23° Sul, eu sabia que precisava inclinar o eixo do telescópio 23 graus para cima a partir da linha do horizonte.

Foto: Polo Sul Celeste

O resultado

Ao combinar essas duas coordenadas, o sul geográfico corrigido e a inclinação baseada na minha latitude, o Polo Sul Celeste estava lá. É a partir daquele ponto que, ao nosso ponto de vista, todas as estrelas giram, e aqui no hemisfério sul no sentido horário.

Isso foi um lembrete de que, na astronomia, entender como as coisas funcionam por trás das lentes é metade da diversão ;-)

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Fabiano Badawi
Céus limpos e boas capturas!