Fabiano Badawi
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Unboxing do telescópio Uranum Galileu 160mm: Primeiras Impressões

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Unboxing do telescópio Uranum Galileu 160mm: Primeiras Impressões

Foto: Telescópio Uranum Galileu 160mm sobre montagem equatorial.

Minha história com os telescópios

Desde criança sempre gostei de astronomia, me recordo muito bem a primeira vez que olhei por uma luneta, eu tinha uns 7 anos, a luneta era de plástico e vinha de brinde em alguma revista. Eu estava na casa da minha avó materna quando dois tios olhavam pela luneta e me ofereceram ela para eu experimentar.

Tive a primeira decepção, era dia e o céu estava azulado, eu achava que veria algum planeta ou estrela mas só vi o céu azul. Não tive a chance de ficar lá até a noite para ver a lua.

Alguns anos se passaram, eu devia ter uns 12 anos e pedi de presente ao meu pai uma luneta, ele atendeu ao pedido, era uma luneta Tasco de 50mm, com uma ocular zoom e um pequeno tripé. Essa luneta me acompanhou por muitos anos, fiz observações terrestres, ví as crateras da lua, planetas e estrelas. Infelizmente ela foi roubada junto com muitas outras coisas da minha casa durante um assalto à minha casa.

Certo dia eu estava num supermercado e ví uma pilha imensa de caixas de telescópio de 60mm a preços convidativos e parcelamento em 10 vezes. Não pensei duas vezes e saí do supermercado com o meu novo telescópio.

Devido a baixa qualidade das lentes ele era bom somente para ver a lua e fazer observações terrestres, mesmo assim aproveitei muito o aparelho, durante uns 10 anos, até que doei o aparelho para que outra pessoa aproveitasse.

Como eu fiquei sem algum aparelho que me permitisse ver o céu, comprei um binóculo 10x50, que foi muito útil para ver a lua e fazer observações terrestres, mas a falta de um tripé fazia a imagem tremer muito e não permitia que eu aproveitasse os detalhes. Cheguei a comprar um mini tripé com um suporte para binóculo mas não servia para apontar para cima, pois eu ficava sem ângulo para olhar através do binóculo.

Nova aquisição: Telescópio Uranum Galileu 160mm

Como eu já tinha um binóculo para me orientar pelo céu, agora faltava um telescópio que me permitisse observar os detalhes do que eu estava vendo.

Minha preferência é pela observação do céu profundo, também gosto de planetas mas é necessário muito aumento para que os detalhes fiquem aparentes. Para o céu profundo, pouco aumento e uma boa abertura é suficiente, por isso escolhi um newtoniano com uma relação focal mais baixa, um f/5 com 160mm de abertura e 800mm de distância focal.

Fiz a compra online aproveitando os descontos da Black Friday e combinei com a loja de retirar o equipamento com o meu carro, puro preciosismo, com receio do transporte bater a caixa com aproximadamente 20kgs e danificar algum componente sensível.

Adicionalmente eu comprei um colimador a laser e um kit de limpeza para as lentes e espelhos.

Chegou a hora do unboxing

Com a chegada em casa em segurança, realizei a abertura da caixa.

Foto: Caixa do telescópio com aproximadamente 20 kgs de peso.

É um peso considerável para se carregar sozinho, imagine 4 sacos de arroz de 5 kgs. Eu preferi carregar em duas pessoas.

Foto: Esquema de organização interna dos acessórios e manual de uso.

A caixa não vem com parte soltas que se batem quando movimentadas, vem tudo bem encaixado com cada acessório no seu lugar. Acompanha um manual em português bem ilustrado com as instruções de montagem.

Foto: Manual de montagem e uso do telescópio.

Não ignore o manual, tem avisos de segurança e instruções importantes sobre o manuseio do equipamento.

Foto: Caixas internas que acomodam as peças individualmente.

Tudo foi retirado da caixa principal, agora é a hora de desencaixotar.

Fotos das peças, acessórios e tubo ótico

O manual lista todos os acessórios, veriquei e tudo estava na caixa.

Foto: A base de tudo: Tripé tubular em Aço Inoxidável. Muito superior ao alumínio, ele é essencial para suportar o peso do conjunto com poucas vibrações.

Verifiquei que a ponta da perna do tripé tem um emborrachamento que ajuda na aderência ao piso.

Obs. No manual diz que o tripé é de alumínio, na minha opinião é um aço inoxídável (stainless steel). O aço aguenta cargas muito maiores sem "vergar" ou torcer. Isso evita trepidações ao usar o focalizador do telescópio. Legal! Ter recebido o de Aço Inoxidável é um upgrade "gratuito" que geralmente custa caro se comprado à parte.

Foto: Bandeja porta-acessórios. Além de organizar as oculares, ela é vital para travar a abertura das pernas do tripé, garantindo que o tripé não se abra completamente.

A bandeja suporta 3 oculares de 1,25 polegadas e uma ocular de 2 polegadas.

Foto: Tripé após a montagem da bandeja de acessórios.

Aqui verifiquei que é necessário um cuidado importante. A bandeja, além de guardar as oculares ela serve de trava para as pernas no tripé, se ela se soltar as pernas do tripé vão se abrir caso o chão seja liso, e tudo que estiver em cima do tripé vai cair no chão, então muito cuidado no encaixe e aperto dessa parte da montagem.

Foto: Detalhe do suporte da montagem EQ4 com um pino de alinhamento que garante que a montagem seja feita em um único sentido, essencial para garantir o acompanhamento dos objetos no céu.

Foto: Detalhe do nível bolha para o nivelamento do suporte da montagem. É essencial o nivelamento da base para que os astros sejam acompanhados no céu, o nivelamento é feito ajustando a altura das pernas do tripé.

Foto: O coração do sistema: Cabeçote da montagem equatorial EQ4 preta mostrando os eixos de rotação.

Foto: Escala de Latitude: Aqui ajustamos o grau da latitude conforme a cidade que você está observando (ex: 23° para São Paulo). É feito apenas uma vez caso você não mude de cidade.

Foto: Detalhe do disco graduado onde é definida a declinação (Dec), em graus. Embora pouco usado por causa de sua baixa precisão, permite encontrar astros pelas coordenadas celestes.

O disco de declinação vai de 0 a 90 e volta a 0 (duas vezes, totalizando 360°) porque ele mapeia a esfera celeste em quatro quadrantes, partindo do Equador Celeste até os Polos.

  • 0°: Representa o Equador Celeste.
  • 90°: Representa os Polos Celestes (Polo Norte Celeste ou Polo Sul Celeste).

Foto: Detalhe do disco graduado onde é definida a ascensão reta (AR), em horas.

Note que o disco possue duas linhas de horários, em sentidos opostos, isso é para permitir o uso do telescópio no hemisfério norte e sul. Use os horários que estão na parte de baixo caso você esteja no hemisfério sul (o mais provável), caso você esteja no hemisfério norte use os números que estão na parte de cima do disco.

Para tirar a prova mova o telescópio na direção leste (para onde o Sol nasce), os horários da ascenção reta devem aumentar.

Após a calibração dos discos graduados você pode usar apps que ajudam a identificar o posicionamento dos astros no céu, como o Stellarium, ao selecionar um astro o app mostra os graus de declinação e as horas da ascenção reta, o que permite localizar o astro através dos discos graduados, porém eles tem pouca precisão pelo pequeno tamanho, e qualquer desalinhamento da montagem afeta significativamente a localização do objeto.

Foto: Sistema de engate rápido (Dovetail). Permite montar e desmontar o tubo óptico rapidamente.

Foto: Sistema de contrapesos para que o telescópio se mantenha em equilíbrio durante o movimento de declinação. O segredo para não forçar o motor de acompanhamento é deixar este peso perfeitamente equilibrado com o peso do tubo óptico.

Foto: Contra peso encaixado na haste, que por sua vez é rosqueado na montagem.

Foto: Manípulo curto. Pode ser encaixado no eixo de ascenção reta.

Foto: Manípulo longo. Geralmente ele vai encaixado no eixo de declinação para facilitar o alcance, pois ele fica paralelo ao telescópio.

Foto: Base equatorial montada no tripé.

Foto: Adaptador para o focalizador de 2 polegadas para 1,25 polegadas.

Foto: Buscadora Red Dot (Ponto Vermelho). Diferente das ópticas, ela projeta um ponto de luz no visor, facilitando muito apontar o telescópio para a região correta do céu.

Foto: Ocular Kellner com 25mm de distância focal.

Foto: Ocular Plossl com 10mm de distância focal.

Foto: As Oculares Plossl e Kellner vistas de cima. Especialmente a Plossl parece ter um Eye Relief curto. Você precisa "colar" o olho na lente para ver a imagem completa. Se afastar um pouco, a imagem fecha e parece que você está olhando por um buraco de fechadura.

Foto: Lente Barlow com 3x de aumento. No caso deste telescópio com o uso desta barlow 3x a distância focal do aparelho salta de 800mm para 2.400mm, obviamente com perda de brilho.

Foto: Motor simples de rastreamento da montagem.

Foto: Suporte para 4 pilhas AA para movimentar o motor de rastreamento. Também é possível comprar uma fonte de 6v com o mesmo conector, caso onde você faça as observações tenha uma tomada.

Foto: Visao interna do tubo ótico. O acabamento me pareceu de boa qualidade. O focalizador invade o tubo ótico pois ele está todo recolhido, ao fazer o foco e extender o focalizador a invasão desaparece. Ainda na imagem é possível ter uma idéia da obstrução do espelho secundário.

Como o ponto focal do espelho primário fica um pouco mais para fora do tubo ótico a vantagem é que é posssível conectar cameras DSLR ou oculares de 2 polegadas no focalizador mantendo o foco perfeito, a desvantagem é que a obstrução do secundário fica um pouco maior pois naquele ponto a sessão do cone de luz ainda é grande.

Foto: Close no espelho parabólico de 160mm de abertura. Ele possui uma marcação do centro do espelho para facilitar a colimação.

Foto: Parte traseira do tubo ótico.

Notei que o fundo do espelho primário fica exposto na parte de trás do tubo ótico, não é um problema para as observações pois a tampa do tubo ótico serve perfeitamente na parte de trás do tubo, impedindo qualquer entrada de luz durante as observações. Porém, essa exposição do espelho o deixa vulnerável a pancadas acidentais, é preciso ter cuidado.

Essa abertura é proposital, serve para que o espelho entre em equilíbrio térmico com o ambiente mais rápido (aclimatação), evitando distorções na imagem.

Veredito Inicial e Próximos Passos

Minha primeira impressão é que o Uranum Galileu 160mm superou as minhas expectativas. O salto de qualidade da minha antiga luneta para este conjunto é muito grande.

O que mais gostei:

  • Robustez: A montagem EQ4 e o tripé de aço inoxidável passam muita confiança.

  • Acabamento: O visual preto com detalhes em vinho é lindo ao vivo.

  • Potencial: Os 160mm de espelho primário captam muita luz.

Pontos de Atenção:

  • Adaptador de Ocular: A pequena folga no adaptador de 1,25 polegadas exige cuidado ao fixar as oculares para manter o alinhamento.

  • Bandeja do Tripé: É vital garantir que ela esteja bem travada para segurança do conjunto.

  • Espelho Exposto: A traseira aberta facilita a aclimatação térmica, mas exige cuidado redobrado no transporte e armazenamento.

E o Motor? O kit acompanha o motor de rastreamento, mas decidi não instalar agora. Quero dominar a montagem manual e o alinhamento polar antes de automatizar o processo. Fica a promessa de um post futuro exclusivo sobre a motorização!

O céu não é o limite agora, só falta uma noite de céu limpo para que eu teste o equipamento na prática. Estou ansioso para apontar esses 160mm para a Nebulosa de Órion e ver o que a abertura do espelho primário pode mostrar.

Se você tem alguma dúvida sobre a montagem deixe seu comentário! Pretendo documentar a minha jornada astronônica aqui no blog.

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Fabiano Badawi
Céus limpos e boas capturas!