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Maratona Caldwell: Aglomerado Caixa de Joias - C94
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- Fabiano Badawi
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Foto: Aglomerado da Caixa de Joias - C94
Este foi o meu registro da noite, o Aglomerado da Caixa de Joias. Foi o melhor que pude fazer usando um celular.
Origem do nome
Foi John Herschel quem deu esse nome ao aglomerado por causa das cores das estrelas que pareciam "pedras preciosas". Ele foi filho de William Herschel, que descobriu Urano.
Destaques sobre o aglomerado
Ele é um aglomerado aberto relativamente jovem com 16 milhões de anos de idade 😄 possui pouco mais de 100 estrelas que estão ligadas pela força gravitacional. Está a cerca de 6.500 anos-luz da Terra e foi descoberto pelo astrônomo francês Nicolas-Louis de Lacaille em 1752.
É visível para quem está no Hemisfério Sul e consegue avistar o Cruzeiro do Sul. Tem uma magnitude de 4,2 e pode ser vista com binóculo mas a separação das estrelas é melhor vista com um telescópio.
A referência é estrela Mimosa no braço esquerdo da constelação do Cruzeiro do Sul que está bem visível na foto abaixo.
Foto: Telescópio apontando para a estrela mimosa facilmente visivel na foto.
Observação: A luz vermelha vem de uma lanterna de cabeça que uso para iluminar o local sem prejudicar a adaptação da visão ao escuro.
Descrição da noite
Temperatura agradável sem ventos e núvens mas a poluição luminosa é um belo complicador. A luz da cidade forma um céu com aspecto leitoso que diminui bastante o contraste com objetos tênues que pretendo observar.
Fiz um alinhamento do telescópio com o polo sul celeste "a olho" e a falta de precisão foi agravada por um tropeção no tripé que aumentou a margem de erro do alinhamento.
A captura da foto
Fui testando várias configurações de captura no software da camera. Meu celular permite até a sensibilidade ISO 3200 mas descobri que a ISO 800 deixou uma boa relação de sinal/ruído. Como o alinhamento do tripé estava comprometido por causa do tropeção, mesmo o motor de acompanhamento gerava um certo arrasto então limitei o tempo de exposição em 3 segundos.
O foco deixei no modo manual e foco infinito, cheguei a testar a modo automático de foco mas as imagens escuras dificultaram uma comparação então apostei no foco fixo infinito. Também ativei o modo RAW de captura.
Tirei cerca de 60 fotos nesta noite, no dia seguinte analisei elas na tela do computador, o que é completamente diferente pois dá uma noção muito melhor da qualidade da foto.
Pós processamento
Apliquei alguns filtros para tentar obter um resultado mais agradável aos olhos que compartilho abaixo:






Astrometria
A astrometria realiza a medição precisa das posições dos corpos celestes. Pense nisso como um algoritmo de reconhecimento de padrões que analisa a disposição geométrica das estrelas na minha foto e a compara com bancos de dados que contêm bilhões de objetos mapeados.
Usei uma foto com menor campo de visão e menor contraste para fazer a astrometria. Eu diminuí a resolução pois isso facilita o algoritmo a reconhecer os padrões de localização.
Foto: Essa versão da imagem foi usada para fazer a astrometria.
Resultado
Foi identificado com sucesso o objeto NGC 4755. Observe a anotação da imagem abaixo o nome NGC 4755, isso confirma o registro do objeto na foto!
Foto: Versão anotada com as confirmações das estrelas encontradas.
Foto: Grid de Ascensão Reta (RA) e Declinação (Dec) projetada sobre a imagem da minha captura
Isso confirma que as coordenadas centrais da foto são RA 12h 53m e Dec -60° 20', validando cientificamente que o alvo centralizado é, de fato, o Caldwell 94.
Foto: Validação verde-vermelho.
Legenda:
- Ponto Vermelho sem Verde: Geralmente é ruído digital ou "hot pixels". O site achou que era uma estrela, mas o catálogo diz que não tem nada ali.
- Ponto Verde sem Vermelho: São estrelas que deveriam estar ali, mas que o setup (celular + céu Bortle 7) não teve sensibilidade suficiente para captar.
- Ponto Vermelho e Verde: Indica que o sistema confirmou que o ponto na foto é uma estrela catalogada.
Ficha Técnica da captura:
- Alvo: Caldwell 94 | Aglomerado Caixa de Joias | (NGC 4755)
- Localização: Valinhos/SP (Bortle 7 | Alt: 740m)
- Data/Hora: 14/03/2026 às 23:59 GMT -3
- Óptica: Refletor Newtoniano 160/800mm (f/5) | Ocular 9mm (68°)
- Aumento: 88x | FOV Real: 0,77° | Sem filtro
- Captura: Motorola Edge 40 (f/1.47) | Método Afocal
- Aquisição: Câmera Nativa (Modo Pro) | RAW (DNG) 16-bit | Single Shot
- Exposição: 3s | ISO 800
- Setup: Montagem Equatorial com motorização em RA
- Pós processamento: RawTherapee 5.10 (Linux)
Link para o resultado da astrometria
https://nova.astrometry.net/user_images/14839761
Conclusão
Finalizar esta primeira etapa da Maratona Caldwell com o registro da Caixa de Joias traz uma alegria imensa. Apesar das dificuldades com a poluição luminosa, a combinação entre a ótica do refletor de 160mm e a captura da imagem mostra que é possível extrair dados astronômicos reais mesmo com um setup "Low Tech" baseado em um celular.
O sucesso da astrometria não foi apenas a confirmação de uma imagem visualmente agradável, mas a validação de que todo o workflow da captura em RAW à redução de ruído no RawTherapee está calibrado e pronto para desafios maiores.
Este é o objeto 1 de 109. A jornada pela maratona Caldwell é longa mas o aprendizado acumulado nesta primeira noite garante que a jornada será desafiadora e fascinante.
Agora é aguardar por novas noites de céu limpo. Que venham os próximos alvos!
Foto: Figurinha em comemoração da observação do objeto C94
Céus limpos e boas capturas!
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