Fabiano Badawi
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Relato: O impacto da Lua Cheia na observação da Nebulosa de Orion (M42)

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Relato: O impacto da Lua Cheia na observação da Nebulosa de Orion (M42)

Foto: Telescópio Newtoniano Uranum Galileu com 160mm de espelho primário com 800mm de distância focal apontado para a nebulosa de orion com uma ocular de 9mm (88x de aumento)

O Retorno à nebulosa de Orion

Na minha opinião a nebulosa de Orion (M42) é o porto seguro de todo o astrônomo amador. Facil de encontrar, brilhante e, na noite certa, revela até as suas cores.

Depois de algumas semanas com o céu nublado as nuvens finalmente deram uma trégua para a alegria dos observadores. Eu aproveitei a oportunidade e, após a calibração da buscadora, apontei meu telescópio para a nebulosa de Orion (M42) mas dessa vez o cenário era diferente, a Lua estava cheia e iluminando o céu com a luz refletida do Sol.

Eu estava lutando contra o vento que estava forte e causava uma certa vibração no tubo ótico, a luz intensa da cidade ao fundo também era um empecilho pois ainda era em torno de 22:00 horas e muitas empresas ainda estavam com seus poderosos refletores de led acesos.

O ponto a favor é que Orion estava bem no alto, do meu ponto de vista bem próximo do equador celeste, a parte mais escura do céu. Era o meu alvo daquela noite.

A lembrança de Orion sob a Lua Nova

Em observações anteriores com a Lua Nova, o céu estava mais escuro, com mais contraste e sob observação visual mais estrelas eram visíveis no céu.

Essa era a minha lembrança da nebulosa:

Foto: Nebulosa de Orion sendo observada durante a Lua Nova (sem Lua)

O Desafio da Lua Cheia

Ao observar a nebulosa sob a Lua Cheia a experiência foi bem diferente, era nítida a sensação de céu lavado provocado pela luz da Lua, o que transformava o céu escuro do céu num cinza leitoso.

O que eu via pela ocular era bem diferente da foto acima, apenas uma núvem pálida, sem contraste com o fundo e numa cor acinzentada.

A tentativa com o Filtro UHC

Tentei melhorar a observação da noite rosqueando um filtro UHC no fundo da minha ocular. Na prática fez pouco efeito, a imagem no geral ficou mais escura e o contraste da nebulosa com o céu até piorou.

Enquanto o filtro UHC é bom para bloqquear luzes de mercúrio e sódio (poluição urbana), a luz da Lua é luz solar refletida e ela cobre quase todo o espectro, tornando-a muito difícil de filtrar sem apagar a própria nebulosa.

Conclusão: O que aprendi

O calendário lunar é o melhor acessório do astrônomo ;-) e a poluição luminosa a maior inimiga para quem gosta de ver DSO (Deep Sky Objects) ou objetos do céu profundo, que em geral tem pouca luz e exige um céu escuro para uma boa observação.

Mas a nebulosa estava lá, mesmo mais ofuscada ela estava lá para ser admirada naquela noite. Eu terminei a noite com mais um aprendizado e mais uma experiência prazerosa de observação.

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Fabiano Badawi
Céus limpos e boas capturas!